Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/22105
Author(s): Gonçalves, José António Saraiva Ferraz
Title: A boa morte: ética no fim da vida
Publisher: Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
FMUP
Issue Date: 2011-02-07
Abstract: Death occurs inexorably and is common to all living beings. Human beings, who are thought to have a particular consciousness about it, usually do not desire it. However, suffering due to some physical and psychological diseases makes some people desire and seek death. Suicide is one of the ways that some people find to terminate their suffering. When very frail to make it by their own means, sometimes, they try that health professionals, in general doctors, help them to die. Nowadays, there is a consensus that people can, when owning their mental capacities, refuse any treatments even when they could save their life. Even when cognitively incompetent, patients can express their will if they had left instructions about it. However, when the patient will is unknown, there are other decisional problems, but doctors should strive always for what they see as the patient s best interest. A positive response to suffering is palliative care, whose development is pressing but is being too slow. What most Portuguese doctors think about this topic is not known. Therefore, it was done a postal survey to Portuguese oncologists, belonging to the Portuguese Society of Oncology and others. It was observed that most oncologists are against the practice of euthanasia and of assisted suicide, but more than 30% are for their legalization. Only one doctor admitted having practiced euthanasia in one case, but no one assisted any patient in suicide. The most important factor associated with being for or against the practices of assisted death was to be catholic practising or not, with these being for those practices in a bigger percentage. Most oncologists are for the withdrawal of life support measures at the patient s request, although only 41% would accept the withdrawal of feeding and hydration. More than 95% of the doctors would give a drug in order to relieve the suffering of a patient, even if that could shorten his or her life. About 80% think that palliative care could avoid at least many of the requests to assisted death. The results obtained should be cautiously considered, because only 33% of the surveyed doctors replied. The idea that palliative care could be the most appropriated answer to the problems of patients at the final part of their lives reflects a large consensus and is one of the most important conclusions of this study.
Description: Mestrado em Bioética
Master Degree Course in Bioethics
A morte ocorre inexoravelmente e é comum a todos os seres vivos. Os seres humanos que se crê terem dela uma consciência particular, em geral, não a desejam. Porém, o sofrimento provocado por certas doenças físicas e psicológicas leva algumas pessoas a desejar e a procurar a morte. O suicídio é uma das formas que algumas pessoas encontram para acabar com o seu sofrimento. Quando muito debilitadas para o poderem fazer pelos seus próprios meios, por vezes, procuram que profissionais de saúde, geralmente médicos, as ajudem a morrer. É hoje consensual que as pessoas podem, quando na posse das suas faculdades mentais, recusar quaisquer tratamentos ainda que estes lhe pudessem salvar a vida. Mesmo quando estão cognitivamente incompetentes, podem ainda manifestar-se se tiverem deixado instruções sobre a sua vontade. No entanto, quando a vontade do doente não é conhecida, outros problemas de decisão se colocam, devendo pugnar-se sempre por o que for entendido como os melhores interesses do doente. Uma resposta positiva ao sofrimento são os cuidados paliativos, cujo desenvolvimento é imperioso mas que se tem arrastado demais. O que os médicos portugueses pensam sobre este assunto não é conhecido. Por isso, foi feito um inquérito por via postal a oncologistas portugueses, incritos na Sociedade Portuguesa de Oncologia e outros. Observou-se que a maioria dos oncologistas é contra a prática da eutanásia e do suicídio assistido, mas mais de 30% são a favor da sua legalização. Só um médico admitiu ter praticado eutanásia num caso, mas nenhum prestou assistência ao suicídio de um doente. O factor mais importante associado a ser-se a favor ou contra as práticas da morte assistida foi o ser-se católico praticante ou não praticante, sendo estes últimos favoráveis a essas práticas numa percentagem maior. A maioria dos oncologistas é a favor da suspensão de medidas de suporte da vida a pedido do doente, embora só 41% estivesse disposto a suspender a alimentação e a hidratação. Mais de 95% dos médicos administraria um fármaco para aliviar o sofrimento de um doente, ainda que com isso pudesse encurtar-lhe a vida. Cerca de 80% considera que os cuidados paliativos poderiam evitar pelo menos muitos dos pedidos de morte assistida. Os resultados obtidos devem ser considerados com cautela, visto que só cerca de 33% dos médicos inquiridos responderam. A ideia de que os cuidados paliativos poderiam ser a resposta mais apropriada para os problemas dos doentes, na parte final da sua vida, reflecte um grande consenso e é uma das mais importantes conclusões do estudo.
Subject: Bioética
Bioethics
Porto
DOI: 10.34626/eas3-wq49
URI: http://hdl.handle.net/10216/22105
Document Type: Dissertação
Rights: openAccess
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