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https://hdl.handle.net/10216/170453| Author(s): | Soraia Gonçalves Pita |
| Title: | Mentiras e Reclusão: Pessoas que já experienciaram reclusão detetam melhor a Mentira/Desonestidade do que a População Geral |
| Issue Date: | 2025-11-10 |
| Description: | Mentir e enganar são comportamentos comuns na vida quotidiana, com implicações sociais e cognitivas complexas, sendo a deteção da mentira mais desafiadora do que a sua produção, exigindo observação de pistas verbais e não verbais, cognição social e Teoria da Mente. Populações específicas, como pessoas que já estiveram em reclusão, parecem apresentar maior sensibilidade a essas pistas socias, possivelmente devido a experiências em ambientes hostis e imprevisíveis, bem como a características de personalidade associadas à "Tríade Negra" - psicopatia, narcisismo e maquiavelismo. O presente estudo teve como objetivo comparar a capacidade de deteção de mentira e desonestidade entre indivíduos com histórico de reclusão e a população comunitária, avaliando simultaneamente traços psicopáticos e narcisistas, utilizando escalas padronizadas de Psicopatia (TriPM) e Narcisismo (NPI-13), bem como o instrumento TASIT-S para a avaliação de competências de inferência social mínima e enriquecida. Os resultados indicam que indivíduos com experiência de reclusão apresentam níveis mais elevados de traços psicopáticos, particularmente Meanness e Disinhibition, mas não de Boldness, e que estes traços influenciam de forma diferenciada a perceção social, sendo que correlações discretas sugerem que certas características de personalidade modulam a interpretação de pistas sociais. Além disso, o grupo recluso demonstrou melhor desempenho em dimensões específicas da inferência social, indicando maior sensibilidade para reconhecer intenções e incongruências comportamentais. Em conclusão, a experiência de reclusão, aliada a traços de personalidade específicos, pode afinar competências de deteção de mentira e desonestidade, reforçando a importância do contexto social na compreensão da cognição social e das interações humanas No entanto, ainda que a mentira faça parte do nosso dia-a-dia parece manter-se alheia ao nosso conhecimento. É possível que as pessoas não tentem detetar mentiras por não quererem saber a verdade, e não por falta de capacidade (Vrij, 2008). À vista disto, a literatura reitera que parece ser mais fácil mentir do que detetar a mentira (Jupe et al., 2018), acredita-se que, ao mentir, os indivíduos espontaneamente revelam indicadores que denunciam a mentira, por isso a observação e a identificação de comportamentos verbais e não verbais têm sido analisadas como potenciais detetores (Gamer et al., 2006). De acordo com Hartwig e colaboradores, em 2004, existem evidências de que há populações que tendem a detetar melhor a mentira do que outras. Um exemplo destas, são as populações reclusas, que dispor de uma melhor capacidade de discriminação entre mensagens falsas e verdadeiras. As populações reclusas também aparentam detetar melhor conhecimento sobre as relações entre comportamentos verbais e não verbais e a desonestidade. Estes indivíduos exibem uma maior taxa de precisão na deteção de mentiras, mantendo crenças menos estereotipadas acerca dos processos relevantes para a tarefa (Hartwig et al., 2004). Estes resultados podem sustentar-se pela sua presença num ambiente hostil e imprevisível, que os torna mais sensíveis a pistas específicas (Birkás et al., 2020). De facto, é possível inferir que a população em reclusão difere da população comunitária, em certos traços de personalidade, tendo como base a "Triade Negra", composta por narcisismo, maquiavelismo e psicopatia (Coid et al., 2009; Turi, 2022), daí o enfoque do corrente estudo nestes traços de personalidade. A presente investigação tem como objetivo compreender a capacidade relativa da deteção de comportamentos desonestos, através de simulações (por meio do instrumento TASIT-S - composto por vídeos), numa população em reclusão, comparando-a com uma população comunitária. Espera-se, portanto, que os reclusos sejam menos tendenciosos, e avaliem pistas de desonestidade com maior precisão de que a restante comunidade. Adicionalmente, pretende-se avaliar a presença de traços psicopáticos e clarificar os níveis de narcisismo associados a esta temática. Pretende-se que esta investigação seja feita em contexto nacional, e para caracterizar a amostra, será administrado um questionário sociodemográfico focado em questões como: a idade, o género, escolaridade, estado civil, nacionalidade, língua materna. Para este estudo, idealmente, a amostra terá de ser constituída por um total 50 de indivíduos, divididos em dois grupos, recolhidos pelo método de amostragem não probabilística. O primeiro grupo será composto por 25 participantes reclusos, avaliado sem estabelecimento prisional. O segundo grupo incluirá 25 participantes da população geral, em que a seleção dos participantes terá como critério o emparelhamento dos dois grupos ao nível das variáveis sociodemográficas género, idade e escolaridade. A comparabilidade dos grupos será estudada através do teste T-Student, verificando se que a população em reclusão e a comunidade geral são equiparáveis para as variáveis idade e escolaridade |
| Subject: | Psicologia Psychology |
| Scientific areas: | Ciências sociais::Psicologia Social sciences::Psychology |
| TID identifier: | 204200687 |
| URI: | https://hdl.handle.net/10216/170453 |
| Document Type: | Dissertação |
| Rights: | openAccess |
| Appears in Collections: | FPCEUP - Dissertação |
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| 748438.pdf | Mentiras e Reclusão: Pessoas que já experienciaram reclusão detetam melhor a Menti-ra/Desonestidade do que a População Geral | 504.43 kB | Adobe PDF | ![]() View/Open |
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