Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/134808
Author(s): Daniela Sofia de Sousa Gomes
Title: Resiliência e job engagement como preditores do burnout em enfermeiros
Issue Date: 2021-07-23
Description: No sistema de saúde português, os enfermeiros, apelidados atualmente de "anjos na terra", constituem um grupo em que os riscos psicossociais são cada vez mais notórios, devido à imprevisibilidade de tarefas e da necessidade da sua rápida resposta, ao maior investimento de tempo e energia com os seus pacientes e familiares, e ainda à frequência de lidar com situações emocionalmente difíceis. Frequentemente, a atividade profissional destes profissionais decorre em condições de trabalho deficientes a nível físico, organizacional e relacional, o que prejudica a sua saúde psicológica e pode desencadear burnout. Contudo, o job engagement e a resiliência podem constituir fatores protetores do burnout, reduzindo a possibilidade de adoecer psicológico. Este estudo tem como objetivos conhecer os níveis de resiliência, job engagement e de burnout nos enfermeiros, a sua inter-relação e variação em função de características sociodemográficas e profissionais. Os dados foram maioritariamente recolhidos online através do método de bola de neve, tendo sido aplicadas as versões portuguesas do Oldenburg Burnout Inventory, da Utrecht Work Engagement Scale e da Resilience Scale e um breve questionário de caracterização sociodemográfica/laboral. Participaram de forma anónima e voluntária 429 enfermeiros portugueses, sendo 78% mulheres, 47% casados, 63% com licenciatura, 77% a trabalhar por turnos rotativos e em hospitais, 86% com vínculo definitivo, tendo uma média de idades de 32,76 anos e média de 9,76 de anos de serviço. Os resultados revelaram níveis moderados de burnout, job engagement e resiliência, embora 38% dos enfermeiros apresentem baixo job engagement. Encontrou-se mais exaustão nas mulheres, e mais desinvestimento nos enfermeiros com filhos, casados, com especialidade e com vínculo definitivo. Além disso, observou-se mais dedicação nos enfermeiros não casados e mais absorção nos enfermeiros com vínculo precário. Existe uma correlação significativa positiva entre job engagement e resiliência, e correlação negativa destes com o burnout. A análise de regressão revelou que 34% da exaustão é explicada pelo job engagement e apenas 1,5% pela resiliência, enquanto 42% do desinvestimento é explicado pelo job engagement e apenas 3% pelas variáveis individuais. Além disso, apenas 10% da resiliência é explicada pelo job engagement, enquanto 38% do job engagement é explicado pelo burnout e 10% pela resiliência. Os níveis moderados de burnout nestes profissionais confirmam a necessidade da sua prevenção, nomeadamente com intervenções eficazes a nível individual, coletivo e organizacional. Constituindo a resiliência e o job engagement fatores de proteção do burnout, é importante sensibilizar os enfermeiros para a adoção de estratégias de gestão do stress crónico e/ou intenso no seu trabalho e para o cuidar de si, de forma a contribuir para a saúde psicológica e motivação destes profissionais.
Subject: Psicologia
Psychology
Scientific areas: Ciências sociais::Psicologia
Social sciences::Psychology
DOI: 10.34626/f5fg-0062
TID identifier: 202813630
URI: https://hdl.handle.net/10216/134808
Document Type: Dissertação
Rights: restrictedAccess
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