Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/121038
Author(s): Mariana Teixeira Macedo
Title: A invisibilidade das doenças profissionais: a relação entre as condições de trabalho e o diagnóstico de cancro da próstata
Issue Date: 2019-07-05
Description: A manifestação de uma doença profissional resulta da exposição a fatores de risco profissionais; e o seu reconhecimento, da evidência de um nexo de causalidade com o trabalho. Para além de afetar a capacidade de trabalho e, de modo mais geral, o dia a dia dos trabalhadores, traduz-se em custos humanos e económicos incomensuráveis. O cancro assume-se como a principal causa de morte na União Europeia, no que concerne às várias doenças relacionadas com o trabalho (Vogel, 2016). Todavia, a sua origem multifatorial e o longo período de latência, associado a uma manifestação muitas vezes tardia, dificultam o estabelecimento de uma ligação entre a exposição profissional e o surgimento desta patologia. A tendência de subnotificação das doenças profissionais, nomeadamente do cancro, é reforçada, não só pelas suas características supracitadas, mas também pela conjuntura externa e pela dinâmica social de reivindicação de outras formas de agir: continua a observar-se uma fraca monitorização de alguns riscos profissionais e intervenção sobre eles, uma falta de divulgação dos números reais de doenças profissionais, ou da diferença entre o número de participações e o número de doenças reconhecidas. Consequentemente, a adoção de medidas remediativas e de prevenção primária, com o intuito de alterar estes ambientes de trabalho nocivos e, assim, evitar casos semelhantes, mantém-se insuficiente (DGS, 2015). O presente estudo pretende dar visibilidade a uma realidade concreta de trabalho onde foram diagnosticados vários casos de cancro da próstata, numa secção específica (aciaria) de uma empresa do setor metalúrgico, localizada no Norte do país. Não obstante a ainda escassa investigação neste âmbito, alguns estudos revelaram um aumento significativo do risco de cancro da próstata em trabalhadores deste setor. Com o intuito de caracterizar este ambiente de trabalho e apurar os obstáculos ao reconhecimento destes cancros como doenças profissionais, realizou-se um estudo empírico, com recurso a entrevistas e ao INSAT, contando com a participação de cinco antigos trabalhadores, bem como do representante da comissão de trabalhadores da empresa, de dirigentes do sindicato e do departamento de doenças profissionais do sindicato, e de um médico urologista que acompanhou estes casos. A fundição de aço e as condições de trabalho, designadamente, o trabalho por turnos e noturno, a exposição a substâncias perigosas (e.g. chumbo), a campos eletromagnéticos e a radioatividade, configuram-se como fatores de risco para a saúde dos trabalhadores, com potencial efeito determinante na manifestação de cancro da próstata. A expressão tardia da doença, a falta de atuação dos médicos e a adulteração dos processos de gestão de riscos profissionais foram alguns dos obstáculos ao circuito processual de reconhecimento destas doenças como doenças profissionais levando, consequentemente, à sua invisibilidade e à perda de direitos de reparação e compensação por parte destes trabalhadores.
Subject: Psicologia
Psychology
Scientific areas: Ciências sociais::Psicologia
Social sciences::Psychology
DOI: 10.34626/t34t-vt33
TID identifier: 202262626
URI: https://hdl.handle.net/10216/121038
Document Type: Dissertação
Rights: restrictedAccess
Appears in Collections:FPCEUP - Dissertação

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