Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/116617
Author(s): Ângela Maria Mendes Abreu
Title: Desenvolvimento da organização autobiográfica na infância: os capítulos da nossa vida
Issue Date: 2018-11-13
Description: É através das histórias de vida que os seres humanos vão construindo significado. Na base do desenvolvimento narrativo está a emergência da memória autobiográfica, que inclui pensamentos, emoções e avaliações dos acontecimentos. Os componentes básicos da memória autobiográfica emergem na primeira infância e vão-se desenvolvendo ao longo da infância. Uma forma de organização das memórias autobiográficas são os capítulos de vida, que contém vários acontecimentos tendo por base um tema comum. Inserido no âmbito da investigação do conhecimento autobiográfico das crianças, o presente estudo tem como objetivo analisar e avaliar a organização dos capítulos de vida nas crianças em geral, procurando mapear os tipos de capítulos produzidos em função da idade, género, desenvolvimento cognitivo e de que forma esta se encontra associada à adaptabilidade e bem-estar da criança. Nesta investigação participaram 62 crianças que vivem com as suas famílias biológicas, tendo idades compreendidas entre os 6 e os 13 anos (M=9.45; DP=2.19). Foi aplicada a Entrevista de Narrativa de Vida com Crianças (LNIC) que integra três tarefas narrativas, entre elas a Organização da Narrativa de Vida em Capítulos de um Livro. Os capítulos de vida foram analisados através da grelha proposta por Braga (2013), a qual se baseia na classificação proposta por Chen e colaboradores (2013), de acordo com as categorias Período de Tempo de Vida (LP), Período de Contexto de Vida (LDP) e Acontecimentos Singulares (SE). Neste estudo, os capítulos que não se enquadravam em nenhuma destas categorias foram considerados como Não Cotáveis (NC). Os resultados revelaram que no total de 200 capítulos produzidos, 55% correspondem a períodos de vida, seguido de 19,5% pertencentes a contextos de vida, 16% referentes a capítulos não cotáveis, e por último, 9,5% correspondentes a acontecimentos singulares. Já em relação à idade, verificou-se que as crianças de 6/7 anos, na sua maioria, produziram capítulos não cotáveis, e em contrapartida, os restantes grupos etários (dos 8 aos 13 anos) produziram na sua maioria capítulos de períodos de vida. Estes resultados sugerem que as crianças mais novas mostram dificuldade em aderir ao conceito de capítulo, verificando-se como que um "salto" nos 8 anos, onde as crianças já mostram capacidade para organizar as memórias episódicas em capítulos correspondentes a períodos de vida, considerados os mais evoluídos a nível do desenvolvimento. Assim, esta investigação permite confirmar o caráter desenvolvimental da construção dos capítulos de vida, enquanto conhecimento autobiográfico.
Subject: Psicologia
Psychology
Scientific areas: Ciências sociais::Psicologia
Social sciences::Psychology
DOI: 10.34626/fwdr-tq44
TID identifier: 202152626
URI: https://hdl.handle.net/10216/116617
Document Type: Dissertação
Rights: openAccess
Appears in Collections:FPCEUP - Dissertação

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