Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/116425
Author(s): Elsa Maria Guedes Teixeira
Title: Taking their life into their own hands: intersecting inequality of condition dimensions in poor women´s idiosyncratic and educational paths and their strategies to cope with poverty
Issue Date: 2018-10-18
Description: Nas últimas décadas, as perceções sobre a proteção social mudaram e as/os beneficiárias/os têm vindo a ser acusadas/os pela comunicação social, políticas/os, e pelo público em geral, de dependência, preguiça e até fraude. Esta perceção esteve também na base das políticas sociais ativas, criadas no sentido de reforçar a responsabilidade social e a 'autonomia'. A presente tese procurou desafiar alguns dos estereótipos, sobretudo os relacionados com as mulheres pobres, demonstrando a singularidade dos seus percursos, destacando as suas estratégias para escapar à pobreza e oferecer um futuro melhor aos seus filhos, num contexto de desigualdade social. O contributo teórico inovador deste trabalho assume-se na articulação de três abordagens teóricas diferentes: estudos sobre igualdade, abordagem contextualista e disposicionalista de Lahire, e teorias da intersecionalidade, de modo a registar os percursos singulares destas mulheres, fazendo interseções entre o género, a maternidade, o estatuto socioeconómico e a 'raça', de acordo com as dimensões da igualdade de condição, definidas por Baker e Lynch: redistribuição, relacional, educação, representação, e respeito e reconhecimento. Neste âmbito, foram elaborados sete retratos sociológicos, baseados em sessenta entrevistas em profundidade, com vinte mulheres do Norte de Portugal. Foram ainda estabelecidos contactos com organizações públicas e privadas e realizadas dez entrevistas exploratórias, com dezassete informantes chave (profissionais de educação e ação social que trabalham com beneficiárias/os do Rendimento Social de Inserção). Para a interpretação dos retratos sociológicos, os percursos das mulheres foram divididos em percursos esperados e inesperados (singulares). Para além de uma evidente reprodução intergeracional da pobreza, caracterizada pela falta de recursos económicos, a exclusão social das participantes mostrou estar profundamente relacionada com desigualdades afetivas, tais como a negligência e a violência na infância, e a violência doméstica nas famílias constituídas, com implicações a nível emocional, económico, educativo e de saúde. Contudo, apesar da desigualdade, as mulheres pobres mostraram ter estratégias para lidar com os constrangimentos das suas vidas. A maioria das entrevistadas tinha definido uma estratégia de mobilidade social ascendente, especialmente relacionada com o futuro dos filhos, estando a sua agência fortemente relacionada com o cuidado e a priorização das necessidades daqueles. Esta investigação revelou ainda que o valor do rendimento social de inserção é claramente insuficiente para as necessidades das famílias. De facto, este apoio permite apenas níveis de sobrevivência, mantendo as mulheres entrevistadas num estado de dependência, contrariando os objetivos de 'autonomia' delineados na origem daquela política social. O estudo apresenta sugestões para o desenvolvimento de políticas nas áreas de justiça social tais como a educação, o emprego, o apoio social, o cuidar, a habitação e a saúde. Em suma, a perspetiva desta investigação destaca que a capacidade de planear, a motivação e a possibilidade de 'autonomia' dependem em grande medida de condições socioeconómicas e afetivas.
Subject: Ciências da educação
Educational sciences
Scientific areas: Ciências sociais::Ciências da educação
Social sciences::Educational sciences
DOI: 10.34626/mxz3-my38
TID identifier: 101381808
URI: https://hdl.handle.net/10216/116425
Document Type: Tese
Rights: openAccess
Appears in Collections:FPCEUP - Tese

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