Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/159204
Author(s): Igor Alexandre Viegas Outeiro
Title: No Irão, Ormuz: fortaleza de influência portuguesa e enredos intersticiais para uma paisagem cultural contestada
Issue Date: 2023-11-22
Abstract: In the frame of the Persian Gulf, in 1507, Hormuz faced the arrival of the Portuguese to its island and city. This was seen as crucial in the Portuguese overarching goal of dominating Indian Ocean trade routes. To secure this project, Afonso de Albuquerque initiated the construction of the Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz - the most significant work in solidifying the Portuguese presence until 1622, despite a brief interruption from 1508 to 1515. Thus, the Islamic city and landscape of Hormuz were deconstructed and reinterpreted over time. The overlap of what was introduced by the Portuguese in relation to what already existed, as well as the maintenance of spaces and manifestations of cultural coexistence, did not completely disappear even after the expulsion of the Portuguese and the annexation of the Kingdom of Hormuz by Safavid Persia. Surveys were conducted in the 20th and 21st centuries through the German Archaeological Institute for Iran (Kleiss, 1978) and the International Service of the Calouste Gulbenkian Foundation (Campos, 2002-2004), respectively. Based on the results of these surveys, this dissertation seeks to add the following: 1) an understanding of the fortress as a unitary and cohesive system that attests the passage from transitional fortification to bastioned fortification in the 16th century; 2) a retracing of architectural elements within the fortress perimeter and their respective formal and volumetric expressions; 3) a deeper exploration of the relationship between the fortress and other urban coordinates of the city; 4) a proposal for the relocation and renaming of architectural elements that no longer exist and can be remapped according to textual and graphic documents of the time; and 5) an interpretation of the territory within the definition of a cultural landscape that sustains it. For these objectives, at certain moments, graphic elements produced by me are referenced, and in other cases, graphically developed elements based on the production of other authors are used. These communications are read in parallel with research conducted in national and international archives, which are often found in photographs discovered and attached. A final reflection opens the discussion of the Persian Gulf within the European epistemological sphere. In essence, it seeks to broaden the context of violence, negotiated peace, and the regimes of assimilation, confrontation, friction, and exclusion - produced during cultural encounters - to the current understanding of this region, commonly seen as being in the Middle [of the] East, according to its centre: Europe. Through European cartography from the 19th and 20th centuries, accessed at Qatar Digital Library, questions are raised about how the Persian Gulf, and consequently the Strait of Hormuz, was reconstructed in modernity under projects of mineral exploration and extraction, besides the stabilisation of local communities in space through coordinates (in the latitude and longitude system). Analysing the fortress and city of Hormuz within Portuguese architecture, and their context, brings an effort to enable post-colonial physical and theoretical debate spaces. Thus, rethinking the role of national and supranational entities in the symbolic appropriation of these architectural and cultural phenomena that come into contestation and reverberates, not only in the territories but also in the processes people face to identify themselves with them
Description: No marco do Golfo Pérsico, e em 1507, Ormuz confronta-se com uma chegada portuguesa à sua ilha e cidade. Esta era entendida como fulcral no macro-objectivo português de dominar as rotas comerciais do Índico. Para assegurar tal projecto, Afonso de Albuquerque dá início à construção da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz - a obra mais significativa para o cimentar da presença portuguesa até 1622, não obstante uma breve interrupção de 1508 a 1515. A cidade e paisagem islâmicas de Ormuz foram, portanto, desconstruídas e reinterpretadas ao longo do tempo. A sobreposição de o que foi introduzido pelos portugueses em relação ao que já existira, bem como a manutenção de espaços, e manifestações, de co-existência cultural, não desapareceu por completo mesmo após expulsão dos portugueses e a anexação do reino de Ormuz à Pérsia safávida. O que foi subsistindo aos séculos seguintes foi de certa forma considerada nos levantamentos realizados nos séculos 20 e 21 através do Instituto Arqueológico Alemão para o Irão (Kleiss, 1978) e o Serviço Internacional da Fundação Calouste Gulbenkian (Campos, 2002 - 2004), respectivamente. A partir de o que o que foi produzido nestas viagens, a dissertação procura acrescentar: 1) uma compreensão da fortaleza enquanto sistema unitário e coeso que atesta a passagem da fortificação de transição à fortificação abaluartada no século 16; 2) um retraçar de elementos arquitectónicos, dentro do perímetro da fortificação, e respectivas expressões formais e volumétricas; 3) um aprofundar da relação entre fortaleza e demais coordenadas urbanas da cidade; 4) uma proposta relocalização e renomeação de elementos arquitectónicos já não existentes, mas passíveis de voltarem a ser mapeados segundo documentos textuais e gráficos da época; e 5) uma leitura do território dentro da definição de uma paisagem cultural que o sustém. Para estes objectivos, em certos momentos, referenciam-se elementos gráficos integralmente produzidos por mim e, noutros casos, elementos refinados graficamente com base na produção de outros autores. Estas comunicações são lidas em paralelo com uma procura feita em arquivos nacionais e internacionais que muitas vezes se encontram nas fotografias encontradas e anexadas. Uma reflexão final abre espaço à discussão do Golfo Pérsico entendido dentro da esfera epistemológica europeia. No fundo, procura-se alargar os contextos de violência, de paz negociada e os regimes de assimilação, confrontação, fricção e exclusão - produzidos durante os encontros culturais - à leitura actual desta região comummente tida como estando a Mé[d]io do Oriente, em relação à Europa como centro. Com cartografia europeia dos séculos 19 e 20, acedidas no Qatar Digital Library questiona-se como o Golfo Pérsico, e por conseguinte o Estreito de Ormuz, fora reconstruído na modernidade sob projectos de exploração e extracção mineral e de estabilização das comunidades locais no espaço por vias de coordenadas no sistema de latitude e longitude. Analisar a fortaleza e cidade de Ormuz dentro da arquitectura portuguesa, relacionando-as com o seu contexto, levanta a necessidade de hoje se fazer um esforço para permitir uma leitura em espaços de debate físicos e teóricos pós-coloniais. Assim, repensar o papel de entidades nacionais e supra-nacionais na apropriação simbólica destes fenómenos arquitectónicos e culturais que entram em contestação e reverberam, não só nos territórios mas também nos processos de identificação das pessoas com estes.
Subject: Artes
Arts
Scientific areas: Humanidades::Artes
Humanities::Arts
DOI: 10.34626/spgg-nn22
TID identifier: 203468562
URI: https://hdl.handle.net/10216/159204
Document Type: Dissertação
Rights: restrictedAccess
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