Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/151273
Author(s): Ana Catarina Milheiro da Silva
Title: A construção de percursos educativos de jovens em territórios de fronteira de Portugal Continental: pensar a escola e abordagens de resiliência
Issue Date: 2023-07-20
Description: Este estudo procura compreender o modo como escolas de regiões de fronteira de Portugal Continental, com abordagens de resiliência, estão a contribuir para uma maior equidade na construção dos percursos educativos juvenis. Considera-se que as especificidades sociais, económicas, culturais, educacionais e geográficas destas regiões podem influenciar a organização dos percursos dos/as jovens, assim como da ação educativa das suas escolas. Reconhece-se a existência de desigualdades e desvantagens que caracterizam estes territórios, assim como também as vantagens e potencial para os/as seus/suas jovens e comunidades. Neste trabalho valorizam-se as perceções e significados de diferentes figuras da escola, com atenção para os/as jovens, e pretende-se, partindo destes/as, contribuir também para a produção de conhecimento sobre escolas e jovens do interior fronteiriço (fronteira Portugal-Espanha), numa perspetiva educacional, assim como adensar o conceito de escolas resilientes. Acresce que justiça social e espacial são conceitos transversais a este estudo. Em termos metodológicos, optou-se por uma abordagem mista. Os dados qualitativos envolveram análise de conteúdo de projetos educativos de agrupamentos de escolas (um agrupamento por município de fronteira mais uma escola não agrupada; 39), assim como um estudo de caso integrando quatro escolas (Norte, Centro, Alentejo e Algarve) desenvolvido através de entrevistas semiestruturadas (jovens 9º-12º ano, elementos da direção, docentes, assistentes operacionais, pais/mães, encarregados/as de educação e representantes do poder local; 71) e de grupos de discussão focalizada (jovens 9º-12º ano; 4). Os dados quantitativos envolveram um inquérito por questionário, aplicado a jovens do 9º ao 12º ano de escolas de todos os municípios de fronteira (n=3968 jovens). Os resultados indicam que as prioridades da ação educativa destas escolas incluem respostas a dificuldades e desafios específicos, assim como também decorrem de orientações do sistema educativo português. É na dimensão intramuros, e especificamente sobre as aprendizagens e percursos educativos juvenis, que se identifica o maior número de objetivos da sua ação educativa. Na sua ação, estas escolas consideram o local, as suas tradições, necessidades e especificidades, assim como a abertura e relação com a comunidade envolvente. No que respeita aos percursos educativos juvenis, os dados indicam que estes são indissociáveis da sua relação com a escola, família e região, ocupando a escola, na sua componente formal e curricular, uma dimensão expressiva nas vidas juvenis. Na sua maioria, conforme os dados recolhidos, estes/as jovens valorizam a escola, pretendem prosseguir para o ensino superior e reconhecem que terão de deixar a região em prol de mais oportunidades futuras. A mobilidade de saída é genericamente considerada como resposta a uma necessidade e não como fuga. A família, as amizades, as tradições locais e a pertença à região são elos de ligação dos/as jovens ao local. Por fim, os dados indicam que os/as jovens identificam características de resiliência nas suas escolas. Estes resultados são corroborados pelas diferentes figuras da escola envolvidas. Ainda que cada escola (estudo de caso) partilhe características de escolas resilientes, destacam-se determinados indicadores de escolas resilientes que são mais específicos em cada uma e que constituem motores da sua ação (transformação contínua e agência coletiva; ação-prevenção e promoção de oportunidades; interseção de ecologias - sinergias; resolução de problemas como motor de ação). Identifica-se a existência de uma cultura de resiliência que se ajusta às especificidades de cada escola. Conclui-se que as escolas de fronteira se encontram a promover os percursos educativos juvenis, reconhecendo os desafios maximizados das escolas nestes territórios e endereçando-os em prol de uma maior equidade na construção dos percursos educativos pelos/as seus/suas jovens.
Subject: Ciências da educação
Educational sciences
Scientific areas: Ciências sociais::Ciências da educação
Social sciences::Educational sciences
DOI: 10.34626/c5fh-h481
TID identifier: 101556098
URI: https://hdl.handle.net/10216/151273
Document Type: Tese
Rights: restrictedAccess
Appears in Collections:FPCEUP - Tese

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