Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/104241
Author(s): Pedro Miguel Lema Moreira dos Santos
Title: Água como elemento construtivo da Quinta de Valverde. Estudo e projecto
Issue Date: 2016-12-23
Abstract: Since time immemorial, mankind has foraged for water. Its quality and its quantity influenced the rise of many settlements and empires, and, in other cases, their demise. However, if in the early days it was the existing conditions that influenced where man would settle and raise a city, there were times where other factors played a role in where a city would be built. Cities in more inhospitable places began emerging, places where water was not easily accessible. This forced said population to extract water by utilising ingenious mechanisms that would accomplish that very same goal, as well as collect and distribute the water. In order to replace mines, as well as rivers, wells and cisterns were constructed, and they would collect the water from the underground or store rainwater, which led to a more efficient way of using it. With the growth of populations, the constant demand for water and the shortage of said resources, it became necessary to retrieve water from more distant places. It was then, that sophisticated hydraulic were developed. At first, they were simple devices, that carried water with the aid of gravity, but they quickly expanded to more complex mechanisms that would carry the water through pipes, siphons and tunnels, as well as contention measures, such as dams. All this was done before the rise of the Greek Empire. After this, the Roman Empire perfected some of these techniques, like the construction of awe-inspiring aqueducts, that transported water across vast distances. It was exactly the roman civilisation that dotted our landscape with important hydric infrastructures, that played a vital role in supplying populations with water. Amongst some of these monuments, we can highlight the aqueducts of Conímbriga and Gargantana. After the 15th century, many aqueducts were built and repaired, and it was at that time that D. João II ordered the construction of the first aqueduct, in Portugal, from scratch. In Évora, during the reign of D. João III, in 1531, the construction of the 18 kilometre-long aqueduct begun, directed by the architect Francisco Arruda. The work was concluded in 1537. This aqueduct was built in rapid response to the enormous drought that threatened the country at the time. The same thing happened in Quinta de Valverde, where not only three aqueducts were constructed, but also a complex hydraulic system that affected the local climate, the landscape and its very own architecture. These constructions, associated to this particular system, play a role of support, but also function as a start or finishing point. The particular case of Quinta de Valverde, is a clear example of how it is possible to collect and store water, even in a harsh, dry location, so that there is not only enough water to supply the region, but to also have an abundance of it, should it be needed. I intend to study and analyse this place and the way the water was collected, stored and transported, as well as its logistics and architecture. This analysis will be made in a theoretical and historical way, but also practical, because beyond the necessary findings, a small intervention in a strategic place will be carried out. This work will allow the social and territorial rehabilitation of the area, with the goal of valorising this national patrimony and, more importantly, allow the constancy of the water line, transforming the current hydraulic system into a re-utilisable, cyclical one.
Description: Desde tempos imemoráveis que a água foi sendo procurada pelos povos e posta ao serviço do Homem. A sua quantidade e qualidade influenciaram a condição em que as cidades surgiam e que noutros casos desapareciam, determinando a sua riqueza e o seu desenvolvimento. No entanto, se nos primórdios a escolha do sítio era feita em função das condições hídricas existentes, houve épocas em que outros interesses ditavam a fixação de um determinado povo. Começaram a surgir povoamentos em locais inóspitos onde a exploração de água, que não estava directamente ao seu alcance, teve de ser feita através de engenhosos métodos de extracção, recolha e distribuição. Para substituir as minas, como também outras fontes e rios, construíramse poços e cisternas, que recolhiam água do subsolo ou armazenavam a água proveniente das chuvas, levando a uma utilização mais racional. Com o aumento da população e a escassez dos recursos aquíferos, foi necessário buscar água a locais mais afastados dos centros urbanos e foi aí que os sistemas hidráulicos foram desenvolvidos. Inicialmente o transporte era apenas feito por canais à superfície com o aproveitamento da gravidade, mas rapidamente surgiram técnicas de condução de água pelo subsolo com tubagens, sifões e túneis, como ainda métodos de contenção como barragens à superfície e no subsolo, ainda antes da formação da civilização grega. Depois disso, os romanos aprimoraram certas técnicas, como a construção de monumentais arcarias que suportavam o canal de transporte da água que era recolhida a centenas de metros de distância da urbe. Foram precisamente os romanos que marcaram a nossa paisagem com importantes infraestruturas hídricas que desempenharam um papel fundamental no fornecimento de água às populações. Entre eles podem-se destacar o aqueduto de Conímbriga e o de Gargantana. A partir do séc. XV houve inúmeros aquedutos construídos de raiz e reconstruídos. Foi nesta altura que o rei D. João II mandou erigir o primeiro aqueduto inteiramente de raiz. Em Évora, foi no reinado do rei D. João III, no ano de 1531, que foi iniciada a reconstrução do aqueduto de 18 quilómetros de comprimento cujas obras, dirigidas pelo arquitecto Francisco Arruda, terminaram em 1537. Este aqueduto foi feito em rápida resposta à enorme seca que atingia o país e particularmente esta região. O mesmo aconteceu na Quinta de Valverde, onde não só foram construídos três aquedutos, como também um complexo sistema hídrico que influenciou o clima, a paisagem e a própria arquitectura e do qual faziam parte as restantes construções. Estas, associadas à água e a este particular sistema, incorporam em si este elemento e não só desempenham um papel de apoio, como de ponto de partida e de chegada da própria água. O caso da Quinta de Valverde tornou-se um exemplo claro de que mesmo em território seco e árido é possível armazenar e colectar água suficiente para não só haver subsistência como abundância deste recurso natural. Tal foi proporcionado pela própria arquitectura, que tornou o território habitável ao longo de séculos, oferecendo espaços frescos, com transporte e abundância de água ao longo do terreno, assim como espaços religiosos e residenciais, fundamentais à devoção cristã que marcara estas terras religiosas, para a vivência e o bem-estar em torno das necessidades de cada época. Pretendo estudar e analisar o conjunto da Quinta e o modo como a água foi recolhida, armazenada e transportada como também os métodos logísticos e arquitectónicos, que sem a própria arquitectura na sua qualidade espacial, funcional e construtiva não seria possível. A análise será feita de uma forma teórica e histórica mas também prática, pois para além dos levantamentos executados irá ser desenvolvida uma pequena intervenção num espaço considerado estratégico, que permita impulsionar uma reabilitação territorial e social no sentido conjuntivo, com o propósito de valorizar e dar a conhecer este património nacional e, mais importante, dar continuidade ao percurso da água transformando o actual sistema hidráulico num sistema reutilizável e cíclico, ao encontro da própria característica cíclica da água.
Subject: Artes
Arts
Scientific areas: Humanidades::Artes
Humanities::Arts
DOI: 10.34626/zs4k-n291
TID identifier: 202378861
URI: https://hdl.handle.net/10216/104241
Document Type: Dissertação
Rights: openAccess
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