Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10216/118448
Author(s): Patrícia Maria da Silva Gomes
Title: Aprender a ser professor: uma análise situacional de percursos e experiências formativas de estudantes de Educação Física.
Issue Date: 2018-12-18
Description: A presente investigação teve como principal objetivo indagar o modo como os estudantes aprendem a ser professores e constroem as suas identidades profissionais ao longo do 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário. Para o efeito foram elaborados seis estudos, um de caráter concetual e cinco empíricos, sendo um deles exploratório. O estudo concetual materializou-se num ensaio acerca das orientações concetuais e teorias de aprendizagem que norteiam os programas de formação de professores, com vista a identificar elementos que permitam contribuir para a melhoria dos processos de aprender a ser professor. O estudo exploratório foi o ponto de partida para a definição dos estudos subsequentes e analisa o modo como três estudantes-estagiários aprendem a ser professores e constroem as suas identidades profissionais durante as práticas diárias na escola. Os restantes estudos empíricos procuraram dar resposta aos seguintes objetivos: 1) identificar as experiências e agentes do processo de socialização antecipatória dos estudantes, que foram significativos na escolha da profissão de docente de Educação Física e na construção de conceções e entendimentos acerca do ensino e do papel do professor; 2) analisar a perspetiva dos estudantes ao longo do programa de formação, acerca do papel dos agentes mediadores, para o seu processo de aprendizagem; 3) identificar e compreender o papel das experiências emocionais de estudantes-estagiários no processo de aprender a serprofessor; e 4) analisar as valorizações e contradições que os estudantes experienciam ao longo do programa de formação, bem como os seus efeitos no processo de construção das suas identidades profissionais. A recolha de dados decorreu ao longo do primeiro e segundo ano do curso de formação para a docência na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, num grupo de dez estudantes. Os instrumentos de recolha incluíram entrevistas semiestruturadas individuais, algumas com recurso a timelines, grupos focus, notas de campo da observação não participante da pesquisadora e diários de bordo dos estudantes-estagiários. A análise qualitativa dos dados recorreu a estratégias de análise dedutiva, indutiva e temática do conteúdo. O ensaio evidenciou que a coexistência das orientações prática, crítica/social e pessoal são favoráveis à aprendizagem, sendo as perspetivas socio construtivistas as mais ajustadas à formação de professores autónomos e com capacidade de decisão. Neste entendimento, os estudantes necessitam de assumir uma participação ativa, consciente e gradualmente autónoma, em atividades situacionais propostas pelo programa de formação, porquanto possibilita a construção e (re)construção de entendimentos do plano social para o individual (Vygotsky, 1978). Os dados empíricos revelaram que as razões intrínsecas são as que prevalecem na escolha da profissão, seguidas das extrínsecas e, por último, as altruístas, sendo a família o principal agente de socialização para a prática desportiva e o professor de Educação Física para a docência. O processo de mediação reconfigurou-se ao longo do percurso formativo dos estudantes, tendendo a melhorar ao nível das atividades propostas no contexto de estágio profissional. As áreas de formação mais valorizadas foram as relacionadas com o currículo e as didáticas no primeiro ano do programa de formação, e ainda os confrontos situacionais e sociais vivenciados nas didáticas e no estágio profissional. No primeiro ano do curso, ferramentas como o ensino simulado, trabalhos de grupo e recursos expositivos nas didáticas foram valoradas. Já as reflexões conjuntas com os agentes mediadores, em espaços em que havia lugar ao questionamento e à negociação, e a elaboração de documentos didático-pedagógicos foram valorizadas pelos estudantes nos dois anos do curso. Um clima relacional positivo entre os estudantes e os agentes mediadores, estabelecido com base no poder informacional e referente (French & Raven, 1968), favoreceu os processos de aprendizagem dos estudantes. No estágio, as emoções negativas, resultantes do "choque com a realidade" (Hüberman, 2000), sobrepuseram-se às emoções positivas. As experiências positivas, por conferirem confiança e motivação aos estudantes geraram um maior envolvimento na aprendizagem. As contradições individuais (pela justaposição de identidades) e coletivas, face à divisão de responsabilidades e relações de poder com a comunidade, bem como às ferramentas de ensino e à estrutura institucional, foram fatores chave na construção da identidade profissional dos estudantes. Aprender a ser professor configurase, assim, como um processo de transformação, em resultado do envolvimento social, cognitivo, emocional e pessoal, que ocorre pela interação com o contexto e pelo apoio dos agentes mediadores. Neste processo, a construção da identidade profissional acontece à medida que os estudantes se familiarizam com a profissão e assumem o controlo da aprendizagem, passando de meros cumpridores de tarefas a "alguém que ensina" (Akkerman e Meijer, 2011).
Subject: Ciências da saúde
Health sciences
Scientific areas: Ciências médicas e da saúde::Ciências da saúde
Medical and Health sciences::Health sciences
DOI: 10.34626/3183-h061
TID identifier: 101438290
URI: https://hdl.handle.net/10216/118448
Document Type: Tese
Rights: openAccess
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